terça-feira, 18 de agosto de 2009

Confissão

Hoje ninguém quer ser igual. Então, pensemos!
Dizem os estudos que no Brasil, 13% dos adultos são analfabetos, apenas 35% concluem o ensino médio; destes, só a metade tem uma educação básica com qualidade acima da média, concluímos obviamente que o indice de intelectuais seja ínfimo. Contudo ...

Decidi.
A partir de hoje serei in-te-lec-tu-al.

Vou falar de tudo sempre com muita certeza, como se eu mesma tivesse criado. Vou falar de tudo e todos e esquecer que possuo um umbigo. Vou gritar em todas as esquinas que só gosto de coisas “cults”, cultuarei todas as criações artísticas que não entendo, as que eu entender simplesmente declaro non-sense. Vou entupir as minhas frases com palavras soltas em inglês. (Legal! Já fiz isso ali em cima, olha! Olha! Tsc tsc...)

Andarei com livros e revistas debaixo dos braços e claro! Um caderninho... Agora sou intelectual. O mundo necessita das minhas importantes criações. Vou assassinar a gramática, desrespeitar a coesão e mandar pra NASA toda a pontuação e quero ver quem vai me corrigir. Cadê a licença poética? Ahm, ahm?!

Vou pegar o dicionário a fim de decorar palavras e ter um vocabulário Machadiano. Vou declamar em praça pública obras de literatura e interpretar para os desfavorecidos intelectualmente, ou seja, inventar tudo porque eu não entendo nada.

Discursarei sobre as civilizações antigas, as mitocôndrias e cachorro quente. Farei campanhas que salvarão o mundo, vou ser ecologicamente correto e politicamente também, falando em política... Vou me filiar àquele partido e sair por ai exibindo no peito o adesivo do meu mais novo partido e na faculdade vou azucrinar a todos com os nomes dos meus santos candidatos. Lá, vou também interromper as aulas para discutir com os professores, pois é claro que a graduação deles não é nada perto do meu dote natural e não posso esquecer de bem no finalzinho da aula quando todos estiverem levantando fazer uma longa pergunta que mais parece uma explicação.

Vou reclamar do sistema, do presidente e do preço da mortadela. Vou dizer que as pessoas só trabalham e que são escravos da sociedade e vou vomitar termos “pseudo-marxistas” . Ahhh ... Não posso esquecer de andar com a camisa de Che Guevara sem ao menos saber o que foi o M-26 (Movimento Revolucionário 26 de Julho).

Vou ajudar os deficientes atravessarem a rua, não levantar para um idoso sentar já que estou lendo e preciso demasiadamente alimentar a minha fome de conhecimento. Uhm... mais o que? Ah sim! Brigar com a minha família, pois preciso ser o centro das atenções. Vou cortar os pulsos e alegar que faço isso em nome dos menos favorecidos, esse mundo precisa ser mais igual!

Vou fazer citações de poetas gregos e confundir com a tirinha do Paulo Coelho do jornal que li ontem, vou xingar as músicas que você houve só até eu chegar em casa e ouvir também. Vou reclamar do absurdo que a companhia telefônica cobra mesmo elas não tendo culpa se eu ligo para eliminar o participante daquele programa.

Vou andar olhando pra cima ou para baixo, nunquinha para as pessoas que passam por mim nas ruas, estou sempre pensando em algo que os outros não pensam. Eu sou d+! Vou colocar óculos esquisitos, que vai me dar um ar de intelectual e vai espantar os “muleques-piranhas”, logo... deduz-se... que... se aproximarão só os intelectuais, nerds ou ... Serei àquele primor de inteligência, afinal, qual o homem que não queria “ter” uma dessas?!?!?! Ah sim... Os fãs da mulher melancia.

Saberei dançar (não o creu é obvio), recomendarei bons restaurantes, reconhecerei bons vinhos e no final de semana me encontrarão no Teatro Municipal naquela linda ópera chamada “peanut brain" (cérebro de amendoim).

Ser intelectual ainda é pouco,
vou dominar o mundo!

4 comentários:

R¹³ disse...

Sejamos in-te-lec-tu-ais (palavra difícil de falar, ¬¬'), tem uma variação mais simples de falar não?

Serginho disse...

maninha vc já eh intelectual... só q não eh igual a todos os outros!!!

a propósito, a ideia de dominar o mundo não eh ruim não em... vamos começar pelo brasil!!!! =8

bjos =****

Renato Burity disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Renato Burity disse...

Gostei disso aí.
Bom, uma forma bastante comum de dominar o mundo seria fazer protestos em forma de canção, relembrando a época da ditaduta militar, onde os que se colocaram contra as autoridades faziam músicas com a pretenção de nas entrelinhas "esculhambar" os pobres de espíritos :D Caetano Veloso que me corrija se eu estiver errado. ;P

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